Divagações sobre o simples

Lembro de uma ocasião há uns 3 anos em que eu estava indo para a aula numa manhã bem fria. No caminho eu vi um casal de mendigos deitados e abraçados num colchão no meio da calçada, o homem olhava fixamente nos olhos da mulher com amor e deu um beijo na testa dela. E isso não saiu da minha memória até hoje. Porque aquelas pessoas não tinham nada, somente um ao outro. Eles fizeram daquele lugar no meio da calçada o seu lar. E às vezes nós tão preocupados com coisas materiais ou que se acabam rápido não prestamos atenção no amor que estamos dando e recebendo dentro de nossas próprias casas e esquecemos da importância e do significado de ter um lar.

Passamos anos preocupados com o que devemos fazer para ganhar mais dinheiro, para ser mais felizes, para ter mais amigos, para ter o melhor emprego, para ter mais qualidade de vida. Mas de que adianta correr atrás da própria felicidade de maneira egoísta se as coisas que vivemos aqui são tão passageiras?

Faça uma pequena reflexão sobre o tanto de tempo que você já viveu e pense em pelo menos uma coisa que você fez que pode ser eternizada de alguma forma. Perceba o quanto vivemos na busca de alcançar coisas superficiais que ao final não fazem sentido algum. Não digo que essas coisas não são importantes, mas não deveriam ser nosso único foco ao passar por este Planeta.
Às vezes pequenas atitudes podem ser eternizadas. Uma pequena ação para ajudar a mudar a vida de alguém que não tem muitas condições de sair da situação em que está, seja financeiramente ou emocionalmente. Às vezes o fato de você parar para ouvir alguém que realmente precisa desabafar e dizer algumas palavras de consolo pode ser um ato que vai se eternizar no coração dessa pessoa.
Na correria do dia a dia é difícil reparar em pequenas coisas como um casal de mendigos na rua ou pra conversar com alguém que precisa de um apoio. Mas se percebermos o quanto coisas simples podem fazer mais diferença nas nossas vidas a longo prazo do que coisas superficiais, com certeza nós vamos gastar mais tempo com o que realmente importa.
A vida que nós temos e a maneira que somos tratados pelas pessoas é uma consequência dos nossos atos, sejam eles grandes ou pequenos.

Ah… Poesia!

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

Carlos Drummond de Andrade