Dica Musical: Justin Vernon – Hazeltons

Juro que fiquei olhando uns 15 minutos pro monitor só pra decidir sobre qual banda falaria hoje. Eu percebi o quanto é complicado indicar uma música que você gosta sem ser daquela forma: “OOOOOOOLHA CAAARA. QUE SOM DAORA”. Pensei com carinho e decidir me arriscar logo de cara indicando o Justin Vernon. Logo de primeira, é. Pra causar uma boa impressão quero mostrar o que ultimamente tem sido uma inspiração para mim.

Justin com a galerinha do Bon Iver no Bonaroo 2011

Justin com a galerinha do Bon Iver no Bonaroo 2011

Conheci o trabalho do Justin Vernon por um de seus projetos, o Bon Iver. Sem entender muito da proposta do som e ainda imerso, mas quase que saindo, em gostos de rock progressivo, classifiquei o som dele na minha biblioteca-musical-mental na aba de “sonzinhos pra relaxar”. Passada essa fase frustrada de querer ser músico virtuoso dedicado a solos de 15 minutos, finalmente aprendi a apreciar outras vertentes e propostas musicais. Na minha busca por novos sons voltei a encontrar o Bon Iver e desta vez, um pouco mais sensível, conheci o álbum “For Emma, Forever Ago”, e  a partir daí eu tenho tentado descobrir e aprender mais da música dele.

Acho que a maioria dos projetos do Justin, ou talvez todos, podem ser definidos como “Simples”. Eu diria simples por causa da sensação que as músicas me trazem quando chegam aos meus ouvidos, e que no fim, realmente são relaxantes. Mas Simples é contraditório em outro ponto de vista porque se olharmos bem para o que ele produz eu acredito ser um trabalho tão complexo quanto uma banda de rockvirtuoseheavymetal. Nas músicas dele existem elementos que, de alguma maneira, evidente ou subliminar, as deixam com uma forma mais orgânica e eu acho que isso é que mais me conquistou nas músicas dele. Não importa aonde foi gravada, se em casa ou num estúdio muito profissional com muitos recursos, suas músicas sempre me dão a sensação de que estão sendo reproduzidas perto de mim. Justin produz o tipo de música que eu posso interagir e me sentir ali dentro, imerso naquele som.

Justin Vernon - Hazeltons (2006)

Justin Vernon – Hazeltons (2006)

Entre os trabalhos solo de Justin, “Hazeltons” foi o que mais me agradou. O álbum é o último projeto antes de Bon Iver e foi gravado em 2006, enquanto Vernon morava em Eau Claire, Wisconsin. As músicas me trouxeram as sensações que comentei antes e também percebi alguns detalhes que também estão presentes em outros álbums. Esse processo de conhecer e ficar apreciando Bon Iver e só depois ouvir Hazelton foi magnífico pra mim. Foi como comer uma comida bem boa e depois descobrir a receita.

Você pode ouvi-lo aqui pelo grooveshark: http://grooveshark.com/#!/album/Hazeltons/3000010

Eu gostei do álbum inteiro mas já de cara indico a single “Hazelton”, que me lembrou muito a “Holocene – Bon Iver”, a “Liner” que lembra a “The House of God, Forever – Jon Foreman” e a Game Night, que é muito doida.

Espero que gostem e que as experiências com estes sons sejam tão marcantes quanto foram comigo.

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Dica Musical: The Vespers

The Vespers é uma banda folk de Nashville, Tennessee, que começou em maio de 2009 e em março de 2010 lançou seu primeiro álbum “Tell Your Mama”. O álbum tem um pouco de bluegrass, folk e de música alternativa. Os instrumentos que compõem a banda são: banjo, ukelele, baixo, mandolim, violão, guitarra, bateria, percussão e em algumas músicas do novo álbum o xilofone também está presente. As vozes das duas irmãs, Callie e Phoebe Cryar, causam um efeito lindo nas canções, pois são duas vozes muito fortes que se harmonizam de uma forma incrível e surpreendente. As letras das canções não escondem o fato de todos os integrantes serem cristãos, não é o tipo de banda que rotularíamos gospel, acredito que não seja essa também a intenção da banda. Mas os ideais do cristianismo estão presentes na maioria das canções, às vezes de modo sutil.

A banda lançou seu segundo álbum no dia 3 de abril deste ano, se chama “The Fourth Wall”, você pode ouvi-lo na íntegra aqui: http://soundcloud.com/bjones_75/sets e pode comprá-lo no iTunes também. O álbum continua com o mesmo espírito do primeiro, com fortes influências do Bluegrass e Folk, achei que algumas canções como “Flower Flower” tem uma característica um pouco Pop também. Eu gostei muito e com certeza indico você parar uma hora pra ouvir.

Achei a banda em mais uma busca de sucesso por coisas incríveis e diferentes no Youtube, desde então sempre ouço e tenho uma curiosidade enorme de assistir ao show deles ao vivo, porque pelo que vejo nos vídeos a banda tem uma presença de palco surpreendente. Mas infelizmente eles ainda não saem dos Estados Unidos em turnê.

Não tem muita coisa deles na internet, mas no Youtube eles divulgam muita coisa, principalmente videos de apresentações ao vivo e clipes, como esses:

Dica Musical: Lucy Rose

Lucy Rose é uma das artistas que eu mais ouço e me inspiro atualmente. Conheci as músicas dela através do Youtube quando ela não tinha nada gravado em estúdio, apenas participações em um álbum chamado Flaws da banda Bombay Bicycle Club. Me apaixonei pelas composições dela porque, além de achar o estilo das canções bem parecido com o que eu pretendo fazer futuramente, me encantei pela voz dela, pelas letras e pela simplicidade das músicas. Todas têm um arranjo bem legal e bem característico da Lucy. Além do violão, tocado pela própria cantora, a banda conta com guitarra, bateria, um xilofone que aparece algumas vezes e teclado. Apesar de as músicas e arranjos serem simples, nem por isso o som é medíocre. É tudo na medida certa, sem exageros e, principalmente, tem uma identidade própria.

Na ocasião em que conheci a Lucy, a música Shiver foi a que mais me tocou e da qual eu inclusive ousei fazer um cover (http://soundcloud.com/deciphering/shiver-cover). Me identifiquei muito com a letra na época e até hoje é uma das músicas que eu sempre paro pra ouvir e vivo cantarolando pela casa. Aliás as músicas dela ficam na minha cabeça sempre que ouço e mesmo assim não enjoo!

O primeiro álbum dela acabou de sair! Foi lançado no dia 24 de setembro deste ano e se chama Like I Used To. Eu AMEI o nome porque faz referência justamente à música Shiver que eu tanto amo. Você pode encontrar o álbum pra fazer download no iTunes e pode ouvir algumas canções aqui http://likeiusedto.com/. Neste site inclusive tem o link direto pra comprar o álbum. Infelizmente, pra quem gosta de ter o álbum físico como eu, não fazem entrega dele aqui no Brasil. Mas como ela é uma das minhas artistas preferidas, eu não resisti e dei um jeito de trazerem pra mim e provavelmente vou ter ele nas minhas mãos em breve!

Vou deixar aqui o último vídeo que saiu, da música Bikes, que por sinal achei super engraçadinho. Espero que gostem!

Não Precisa Abrir o Mar

Não estou indo em direção ao escuro

Vejo tudo claramente

Eu acredito mas não confio

Há alguma relação?

Não vejo rebeldia, Senhor

Vejo chama ardente

Mas o fogo não prova

Ele queima e me prende

Derrete meus sentimentos

Deforma meus pensamentos

Transforma minhas expectativas

Em um grande montão de cinzas

Não estou indo em direção ao escuro

Há lâmpada para os meus pés

Há trevas a minha volta

Há alguma comunhão?

Só vejo acusação, Senhor

De quem deveria amar

E a voz da experiência 

De quem não sabe falar

Palavras que deveriam suster

Derrubam pela forma de dizer

Cortam o coração já em pedaços

Não estreita, mas desata laços

Não estou indo em direção ao escuro

Meus pés não saem do chão

Não acredito mesmo vendo

Há alguma explicação?

Ficou tudo mais escuro, Senhor

Foi a chama que apagou

Consumiu sem piedade

Até que nada restou

Os sonhos que entreguei

O quanto me dediquei

A pureza que ninguém viu

Também no fogo se omitiu

Não estou indo em direção ao escuro

Não esboço qualquer ação

Para aquilo que se extinguiu

Há alguma solução?

Se até aqui não foi Contigo, Senhor

Já não sei o que pensar

Se até aqui me enganei

Não quero mais me enganar

E como Esaú a procurar

Não encontro esse lugar

Não sei se sei me arrepender

Suponho escrava ainda ser

Não estou indo em direção ao escuro

Ainda sigo meu coração

Para os pés que estão neste lugar

Há alguma canção?

Cante-me essa canção, Senhor

Como um presente tangível

E fale-me de um futuro

Sem que pareça impossível

Ressussita-me a paixão

Faz bater no coração

Transforma o luto em festa

Pois Tua bondade é o que me resta

Não estou indo em direção ao escuro

Mas ficou embaçada a visão

Para quem não enxerga a regra

Há alguma salvação?

Não solta a minha mão, Senhor

Se não posso afundar

E a minha fé que é pequena

Pode até naufragar

Não precisa abrir o mar

Nem precisa o Sol parar

Só ameniza a minha dor

E traz de volta o primeiro amor

– Juliana Rodrigues

 

Dica musical: Punch Brothers

Sabe quando você escuta uma banda diferente que de tão boa sente a necessidade de mostrar para o maior número de pessoas possível? Foi essa a sensação que eu tive ao ouvir pela primeira vez o último disco do Punch Brothers, uma banda de bluegrass progressivo, lançado em fevereiro deste ano. Passei a última semana ouvindo esse álbum sem cansar pelo menos duas ou três vezes por dia, só deixei ele de lado pra ouvir o novo álbum da Lucy Rose, que aliás será tema do próximo post de dicas musicais, aguardem!

Mas voltando a falar do Punch Brothers… Pra começo de conversa a banda é composta somente de instrumentos de corda, aí já foi de me fazer apaixonar mesmo, são 5 tipos de instrumentos: banjo, mandolim, violino, violão e baixo. É muito interessante observar que não existe em nenhuma música acompanhamento de instrumentos percussivos, porém isso não faz nenhuma falta pois muitas vezes o banjo ou o mandolim é quem dá a estrutura rítmica da música, e faz isso da maneira mais incrível possível!

A banda começou em 2006 e tem três discos lançados, sendo eles: Punch, Antifogmatic e Who’s Feeling Young Now?. E se eu fosse você iria correndo procurar um jeito de ouvir essas belezinhas. Pra despertar mais curiosidade e vontade de ouvir mais, aí vai uma das minhas preferidas deles: