Uma tempestade para os sentidos

“O som é algo complexo. Não basta reconhecer uma canção e ouvir a melodia. Há muito mais na música do que isso. Muitos jovens nunca ouviram o que eu ouvi, e era assim quando eu era jovem. Na era da tecnologia, nós nos acostumamos à conveniência e à facilidade. Crescemos na era da conveniência e do oportunismo. Os vídeos podem ser compartilhados e vistos pelo mundo afora, assim como a música, como qualquer documento. O único problema é que a música não é assim. Ela é uma tempestade para os sentidos, o nascer e o pôr do sol para a alma, mais profunda do que o profundo, mais abrangente que o abrangente. É mais do que você pode ver ou ouvir. É o que você sente. Isso está faltando na tecnologia atual para a música, apesar de muitas coisas terem surgido para ocupar seu lugar e nos distrair de sua ausência.”.

– Neil Young em sua autobiografia.

Born And Raised

Ainda reflexiva sobre as coisas que tem me acontecido. A tranquilidade não dura muito tempo mesmo, concluí. Agora, já prevenida, tirarei o máximo proveito de sua companhia quando voltar. Só espero que não demore tanto quanto da última vez. Sei que as coisas não ficam certas 100% o tempo todo, mas é bom quando nos sentimos plenamente satisfeitos com tudo o que temos feito, mesmo sem ainda ver os resultados.

Só tenho achado engraçado como as coisas mudam de repente. Tem uma música que eu gosto muito (cujo nome é título deste post) que diz que quando você cresce as coisas começam a acontecer sem aviso prévio. Quando você percebe já está trabalhando, já tem uma profissão, já está tentando se virar sozinho. Quando você percebe tem mais uma vida nascendo do seu lado. Quando você percebe, gente que você ama já foi embora ou está se preparando pra partir. Os que você chamava de amigos, hoje são colegas ou conhecidos, talvez até estranhos. Amigo mesmo você tem um, com sorte dois. Quando você percebe, tanta coisa já passou e você precisa se preocupar com tantas coisas diferentes agora, com as quais até nunca imaginou que se preocuparia. Quando você percebe, os erros já foram cometidos e os traumas superados. Quando você percebe sua aparência mudou, seus argumentos mudaram, sua forma de pensar e agir mudou. Só não deixo que mude a minha essência, o que me faz ser quem sou. Quem ainda me faz crer no amor e nas coisas impossíveis. Quem me faz ter ânimo pra correr atrás dos sonhos, que às vezes me parecem voar alto demais. Quem me dá a paz de verdade no meio dessa falta de tranquilidade.

E no fim de tudo isso, dessa reflexão e insônia, a tranquilidade vai voltar e mais risos e sorrisos virão. Vou ter mais motivos pra suspirar, sonhar e ser grata. Espero um dia ver os resultados e que tudo isso faça enfim sentido.

Old man take a look at my life i’m a lot like you

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“Estou atualmente cansado do meu ser musical. Cheguei ao ponto em que tive uma overdose. Quando isso acontece é temporário, mas minha capacidade de curtir a música desaparece. Tudo o que penso musicalmente passa a ser uma piada. É parte do processo. (…) Até a música de outras pessoas me desanima quando estou assim. Tudo parece igual.”. – Neil Young.

Passei numa livraria há mais ou menos uma semana pra comprar um presente e acabei me deparando com este livro. Já tinha uma certa admiração pelas músicas do Young, mas nunca procurei muita coisa sobre ele. A única coisa que sabia com certeza era que ele e suas composições são geniais. Portanto não pensei duas vezes, comprei o livro.

A frase que citei no começo do texto é uma das quais eu me identifiquei com o autor até agora. Muitas vezes a música perde o gosto por um tempo, mas é um afastamento necessário. Passo dias sem encostar no violão ou tentar escrever alguma música. Além disso escutar música parece algo sem encanto e nada que eu escuto normalmente parece realmente despertar meu interesse como antes, parece que todos os artistas e músicas se tornaram medíocres e monótonos da noite pro dia. Até que um dia eu acordo e ouço algo realmente novo e genial, que me inspira e reinicia o ciclo de composições e o gosto pela música se reafirma. Mas o processo todo às vezes é bem desesperador pra quem tem a música como profissão ou como uma das coisas mais importantes na vida. O pior é não saber quando é que vai acabar.

“Eu nunca tive de tentar escrever. Aprendi a estar pronto para compor assim que uma ideia viesse à mente, na escola ou em qualquer outro lugar. Aprendi a parar tudo e prestar atenção à canção que estava ouvindo na minha cabeça. Quanto mais fazia isso, mais canções eu ouvia.”

E mais uma vez me impressiono ao me identificar com Neil. Jamais esperava encontrar semelhanças com ele na minha forma de compor, afinal estamos falando de Neil Young, não ousaria me comparar à ele e dei risada certa vez quando ao sair do palco, numa das raras vezes em que toquei minhas composições ao vivo, um colega da faculdade perguntou se eu já havia escutado Neil Young e Bob Dylan porque minhas músicas o fizeram lembrar deles. É certo que em se tratando de folk, são minhas duas maiores influências, mas jamais imaginaria ou tentei soar como eles. E ainda acho que não existe semelhança. Mas apesar de discordar, me senti honrada com a observação.

Voltando ao livro. Quando li essa frase me lembrei das inúmeras vezes em que estava caminhando pela rua e ouvi a música em minha cabeça, uma melodia prontinha ou às vezes só a letra. E corria pra anotar ou gravar. E eu realmente amo quando isso acontece, é como uma afirmação de que a música está em mim. Não simplesmente porque fui teimosa em seguir este caminho, mas porque é da minha natureza, do fundo do meu coração.  É uma das coisas mais emocionantes quando isso acontece.

Enfim, ainda estou lendo o livro, não cheguei nem na metade ainda. Como já disse, meu tempo está curto ultimamente. Mas não aguentei a vontade de compartilhar esses dois tópicos que foram significativos pra mim enquanto lia. Se algo mais me chamar atenção desta forma, com certeza vou escrever quando tiver a oportunidade.

Termino agora com uma das minhas músicas preferidas atualmente, da qual eu tirei o título do post. No vídeo ele conta a história da música do mesmo jeito que ele conta no livro. Apreciem!