Duras verdades: de um coração pequeno para o maior de todos.

São tantas interferências e mil e uma influências

Que eu coloquei entre nós

São tantos outros laços e outros tantos abraços

Que eu preferi ao teu

Foram tantos os erros e as dúvidas somados ao medo

Que quase me esqueci da segurança que tenho em você

 

Eu que não gosto de monotonia

Passava por você todo dia

E dizia as mesmas coisas vazias

Apertava sua mão

E de cega fiquei convencida

Que era tudo real

 

Façamos um acordo: eu largo a frieza da minha rotina

Traçamos de novo um caminho de vida

Você alinha seu amor com a minha alegria

Sem convenções e a cegueira rompida

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Não Precisa Abrir o Mar

Não estou indo em direção ao escuro

Vejo tudo claramente

Eu acredito mas não confio

Há alguma relação?

Não vejo rebeldia, Senhor

Vejo chama ardente

Mas o fogo não prova

Ele queima e me prende

Derrete meus sentimentos

Deforma meus pensamentos

Transforma minhas expectativas

Em um grande montão de cinzas

Não estou indo em direção ao escuro

Há lâmpada para os meus pés

Há trevas a minha volta

Há alguma comunhão?

Só vejo acusação, Senhor

De quem deveria amar

E a voz da experiência 

De quem não sabe falar

Palavras que deveriam suster

Derrubam pela forma de dizer

Cortam o coração já em pedaços

Não estreita, mas desata laços

Não estou indo em direção ao escuro

Meus pés não saem do chão

Não acredito mesmo vendo

Há alguma explicação?

Ficou tudo mais escuro, Senhor

Foi a chama que apagou

Consumiu sem piedade

Até que nada restou

Os sonhos que entreguei

O quanto me dediquei

A pureza que ninguém viu

Também no fogo se omitiu

Não estou indo em direção ao escuro

Não esboço qualquer ação

Para aquilo que se extinguiu

Há alguma solução?

Se até aqui não foi Contigo, Senhor

Já não sei o que pensar

Se até aqui me enganei

Não quero mais me enganar

E como Esaú a procurar

Não encontro esse lugar

Não sei se sei me arrepender

Suponho escrava ainda ser

Não estou indo em direção ao escuro

Ainda sigo meu coração

Para os pés que estão neste lugar

Há alguma canção?

Cante-me essa canção, Senhor

Como um presente tangível

E fale-me de um futuro

Sem que pareça impossível

Ressussita-me a paixão

Faz bater no coração

Transforma o luto em festa

Pois Tua bondade é o que me resta

Não estou indo em direção ao escuro

Mas ficou embaçada a visão

Para quem não enxerga a regra

Há alguma salvação?

Não solta a minha mão, Senhor

Se não posso afundar

E a minha fé que é pequena

Pode até naufragar

Não precisa abrir o mar

Nem precisa o Sol parar

Só ameniza a minha dor

E traz de volta o primeiro amor

– Juliana Rodrigues

 

Ah… Poesia!

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

Carlos Drummond de Andrade